Alerta de segunda onda da OMS

"A segunda onda está chegando." Esse foi o alerta do diretor de emergências da OMS (Organização Mundial da Saúde), Mike Ryan, em uma coletiva de imprensa em 19 de outubro ao comentar o crescimento no número de casos em países do hemisfério norte.

É o que indicam os números: diversos países europeus registraram o pico de casos confirmados no mês de outubro, de acordo com a Universidade Johns Hopkins coletados pelo G1. Na Itália, por exemplo, foram confirmados 11,7 mil casos em 18/10. Antes de outubro, o ápice havia sido em 21/03, com 6,6 mil novos registros.

Mike Ryan, da OMS, reforçou a necessidade de evitar eventos coletivos e reuniões presenciais para mitigar os impactos da segunda onda, além do apelo por novos testes e isolamento de indivíduos infectados.

Na França, onde o pico foi em 12/10, com 43,7 mil novos casos registrados, foi anunciado toque de recolher em Paris e outras metrópoles do país para conter a segunda onda do novo coronavírus. Reino Unido, Portugal, França e Espanha também adotaram medidas de restrição.

Um artigo publicado no periódico Scientific Reports, da Nature, pelos pesquisadores Giacomo Cacciapaglia, Corentin Cot e Francesco Sannino, estimou que uma segunda onda atingirá os países europeus até janeiro de 2021. A modelagem foi feita com base nos dados da primeira onda e na situação de dez países cuja situação já começava a se mostrar novamente preocupante em agosto.

Os pesquisadores afirmam, porém, que os efeitos da segunda onda podem ser contidos se o controle de fronteiras e medidas de distanciamento social forem adotadas.

Estudo publicado pelas universidades de Cambridge e de Greenwich no Proceedings of the Royal Society A também mostram que o uso de máscaras em todas as situações por pelo menos 50% da população poderia manter o R (número de reprodução) abaixo de 1 se combinada a medidas restritivas de lockdown, prevenindo novas ondas de infecção.

Felizmente, essa explosão do número de casos não tem sido acompanhada em um ritmo razoável pelo número de mortes. Entre os possíveis motivos citados por especialistas estão o aumento do número de testes; predominância de novos acsos entre a população jovem e, portanto, menos suscetível ao novo coronavírus; sistemas de saúde e profissionais mais bem preparados; e maior com a população idosa.

No Brasil, o cenário ainda é incerto, já que o país atravessa um período de desaceleração no número de casos confirmados e mortes enquanto observa a explosão de novos casos na Europa.

Segundo Sylvia Lemos Hinrichsen, médica da Sociedade Brasileira de Infectologia e professora da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), faltam provas e pesquisas analisando o momento de uma possível segunda onda no país, o que dificulta qualquer tipo de projeção mais aprofundada sobre os impactos da pandemia na vida dos brasileiros.

Ainda assim, mesmo ainda longe de uma segunda onda e em queda, o número de mortes por COVID-19 no Brasil supera o registrado na Europa. De acordo com levantamento do ECDC (Centro Europeu de Controle e Prevenção de Doenças), o país é o terceiro colocado no número de mortes por 100 mil habitantes desde o início de outubro, atrás apenas de República Tcheca e Romênia.

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