Como hospitais precisam estar organizados na pandemia e como comunicar irregularidades

Se por um lado os hospitais atuam para evitar sobrecarga e conseguir atender infectados com a COVID-19, por outro sofrem com a queda de demanda nos procedimentos eletivos —a redução no faturamento pode chegar a 30% neste ano, segundo a Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados).

Autoridades têm recomendado uma série de cuidados aos hospitais para proteger quem precisa ir até lá por algum motivo que não seja a COVID-19, como outras doenças ou até atendimento em consultórios localizados nesses estabelecimentos.

Além de reduzir as chances de contaminação, são precauções fundamentais para transmitir segurança aos pacientes e impedir que deixem de procurar um médico ou tratamento quando necessário <<LINKAR COM OUTRA MATÉRIA>>.

Fluxo

O Ministério da Saúde elaborou um guia com recomendação de fluxos em hospitais para diferentes situações. Os cuidados e precauções são essencialmente os mesmos, com leve ajustes caso a caso.

A proposta é estabelecer um fluxo rápido, logo na chegada do paciente. O objetivo é minimizar o possível cruzamento entre aqueles com sintomas respiratórios e pessoas com outros sintomas ou que tenham ido a um hospital para uma consulta agendada.

Todos os indivíduos com sintomas respiratórios devem ser encaminhados para uma área exclusiva de atendimento dentro da unidade ou em uma estrutura auxiliar, como tendas ou contêineres.

A recomendação é que as áreas isoladas sejam identificadas visualmente e sejam bem ventiladas, com acesso a lavatórios e banheiros. Esses ambientes devem ter classificação de risco, consultório e área de atendimento com observação.

Prioritariamente, hospitais devem buscar manter uma equipe exclusiva (médico, enfermeiro e técnico de enfermagem) para atendimento aos pacientes com sintomas respiratórios, evitando interação dos suspeitos de COVID-19 com um número maior de pessoas.

A partir do atendimento será indicada internação ou isolamento domiciliar.

Outros cuidados

Para reduzir ainda mais a chance de contaminação pelo novo coronavírus dentro das áreas dos hospitais, há uma série de outros cuidados que podem ser adotados. O Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) reuniu alguns tópicos:

- Capacitação da equipe quanto à identificação e treinamento sobre o fluxo;

- Fornecimento imediato de máscara cirúrgica aos casos suspeitos até o fim do atendimento;

- Limitação da circulação de pessoas, inclusive de acompanhantes, nas áreas destinadas a atendimento de pacientes com suspeita de COVID-19;

- Escala de equipe médica de retaguarda;

- Adoção de todos os cuidados e rotinas de higiene pessoal e ambiental;

- Comunicação visual sobre medidas preventivas e orientações sobre o novo coronavírus;

- Prioridade de ambientes com pressão negativa para suspeitos de COVID-19, quando possível.

Comunicando irregularidades
Nem sempre hospitais estão completamente adaptados para o avanço do novo coronavírus, seja pela gravidade da pandemia, pela velocidade do agravamento da situação ou por infraestrutura deficitária.

Segundo levantamento do CFM (Conselho Federal de Medicina), entre 30 de março e 6 de maio, foram denunciadas 17 mil inconformidades nas condições de trabalho oferecidas em unidades de saúde. A maioria delas (38,2%) é referente a ausência de EPIs, mas cerca de 11% das queixas dizem respeito a falhas no processo de triagem, como orientação equivocada aos pacientes ou profissionais.

Em caso de irregularidades ou fluxos em desacordo com o recomendado pelo Ministério da Saúde, a recomendação inicial é sempre dialogar com os gestores do estabelecimento ou, esgotada essa possibilidade, contato com a ouvidoria.

Se ainda assim for necessário, o próprio CFM oferece a médicos um formulário para relatar queixas. Outras associações de classe e conselhos regionais também oferecem esse tipo de suporte. Se necessário, procure seu conselho profissional.

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