Como metodologias ágeis podem ser incorporadas na medicina

Agile é um dos termos da moda: metodologias ágeis têm sido utilizadas por um número cada vez maior de áreas, e há até aplicações de conceitos e do mindset ágil na medicina.

Se você não está familiarizado com o tema, Agile consiste em um conjunto de metodologias inicialmente aplicadas no desenvolvimento de software. Possui a finalidade de otimizar o trabalho de equipes na gestão de projetos a partir de alguns princípios, como o trabalho em ciclos curtos de melhoria; eliminação de esforços e recursos desnecessários, para simplificar processos; ter a satisfação de clientes como prioridade máxima; e organizar "rituais" frequentes, em que os participantes discutem o progresso no projeto e definem prioridades.

Há anos que esses princípios extrapolam a área de software e são adotados por companhias de diversos portes e setores, inclusive na saúde. Adotar completamente essas metodologias pode ser mais complexo em atividades que não lidam apenas com produtos e que exigem um número elevado de protocolos, como é o caso da prática médica, mas há alguns princípios que podem ser incorporados ao dia a dia em consultórios, clínicas e hospitais.

Em artigo na Health Affairs, os médicos americanos Bradley Crotty, Melek Somai e Narath Carlile afirmam que, por ser uma área em constante atualização, o uso de metodologias ágeis pode fazer sentido no setor da saúde. "Organizações de saúde são sistemas adaptativos complexos, com diversos profissionais médicos e não-médicos trabalhando em conjunto com tecnologia para servir pacientes, com mudanças regulatórias e em sistemas de reembolso constantes, com conhecimento médico que cresce de forma acelerada", afirmam.

Os autores afirmam que Agile não é algo limitado a tecnologia e processos de inovação, mas que também pode ser utilizado na hora de repensar o próprio modelo de atendimento a pacientes, suas famílias e a comunidade. Neste modelo, os consumidores (ou pacientes) estão no centro, e a satisfação deles se torna a prioridade.

No dia a dia, essa busca por tornar pacientes cada vez mais satisfeitos pode já existir, mas em um modelo ágil os integrantes da equipe —enfermeiras, secretárias, assistentes e médicos— têm liberdade para sugerir melhorias ou solucionar problemas operacionais (não relacionados ao quadro de saúde especificamente) por conta própria. As lideranças trabalham como facilitadores, não apenas como responsáveis únicos por definir as soluções. Os processos são transparentes, então é possível monitorar as mudanças e o progresso feito.

De acordo com a consultoria médica MGMA, um programa Agile bem-sucedido requer que todos na organização pensem em fazer coisas de modo diferente, reconheçam o as habilidades daqueles que estão envolvidos no trabalho e se adaptem a mudanças culturais.

O artigo sintetiza o processo para começar a pensar de forma ágil: "uma organização começa entendendo as necessidades do consumidor e o trabalho feito para eles que gera valor. Então, a organização identifica potenciais desperdícios —trabalhos que não acrescentam valor. Finalmente, há o processo de integrar o maior volume possível de trabalho com tecnologia, alinhando os processos do negócio com as necessidades dos consumidores e a capacidade da organização."

Reconhecer problemas, ter flexibilidade para adotar mudanças, não ter receio em desconsiderar práticas que desperdiçam valor e liderar essa transformação são passos que parecem simples, mas que podem gerar resultados interessantes na fidelização e no atendimento a pacientes. Proporcionalmente, são processos complexos, que podem exigir grande esforço e que, por isso, podem ser testados em pequenos pilotos antes de serem levados para toda a organização. A adoção de metodologias e de um mindset ágil consiste na busca por eficiência, algo que pode colaborar para o sucesso da prática médica a longo prazo.

*A Bayer não tem parceria ou se responsabiliza pelos serviços citados e prestados por terceiros.

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