Como se proteger de ameaças e agressões de pacientes

Os nervos estão à flor da pele e a temperatura nos prontos-socorros e consultórios está alta. Com os níveis de estresse catapultados pela pandemia, os casos de pacientes que ameaçam médicos de processos ou mesmo de agressão estão mais evidentes.

Uma pesquisa divulgada no início de agosto pela APM (Associação Paulista de Medicina) que consultou quase 2 mil profissionais da saúde em todo país aponta que 37% dos respondentes confirmam ter presenciado episódios de agressões a médicos, profissionais ou colaboradores de áreas de atendimento. Os tipos mais citados de agressão foram truculência psicológica (21,5%), verbais (20,7%), bullying na internet (11,5%) e ameaça de agressão física (7%).

Um cenário similar ou pior tem sido observado em outros locais no contexto da crise do novo coronavírus. Na Índia, a IMA (associação médica indiana) relatou casos de médicos abusados e espancados por pacientes. Há inclusive uma mobilização por uma lei nacional que proteja os profissionais. Austrália e Filipinas também registraram casos parecidos.

Em artigo no BMJ, a psicoterapeuta e consultora Anita Houghton recomenda o uso de comunicação não-violenta para lidar com pacientes explosivos. Ela lembra que cada caso é único, mas há três regras principais que devem ser observadas em uma situação de hostilidade:

- Resista a suas respostas instintivas; elas geralmente pioram as coisas

- Administre seu próprio estado mental e emocional; você precisa se manter calmo e eficiente

- Tenha curiosidade sobre os sentimentos e necessidades das outras pessoas; é aí que residem as respostas

Por mais que a situação seja conduzida com calma e cautela, nem sempre o desfechco é positivo. O #SeCuidaDoutor separou algumas dicas fundamentais para profissionais da saúde buscarem uma forma de se proteger de agressões segundo advogados especialistas, conselhos e órgãos especializados.

- Evite contato físico e proteja-se. A agressão, mesmo como defesa, deve ser evitada ao máximo;

- Busque ajuda de outros profissionais ou pacientes;

- Se possível, grave ou registre a agressão e, quando possível, registre um boletim de ocorrência;

- Caso ocorra um incidente, a primeira ação deve ser sempre socorrer a vítima, tomar medidas para evitar que outras pessoas sejam alvo de agressão e, se necessário, prestar primeiros socorros.

- É importante lembrar que o paciente não tem direito de ofender a honra, imagem ou físico do profissional, seja na internet ou pessoalmente;

- Denunciar agressões, abusos e ofensas é recomendado para evitar que episódios similares se repitam com você ou com outras pessoas;

- Além das queixas em delegacia, denúncias podem ser realizadas nos conselhos regionais de medicina e em entidades de classe.

*A Bayer não tem parceria ou se responsabiliza pelos serviços citados e prestados por terceiros.

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