Como será o futuro da medicina após a pandemia

Futuro pós-pandemia, novo normal, vida depois da COVID-19: dê o nome que quiser. Quais mudanças vieram para ficar na área da saúde após o novo coronavírus? Há pouquíssimas certezas, mas muitas respostas possíveis.

Pesquisadores, consultorias, bancos e uma infinidade de pessoas têm buscado mostrar como o setor será afetado nos próximos anos. Há previsões de todos os tipos, desde uma mudança radical na tecnologia utilizada em tratamentos até uma alteração completa no modelo atual do atendimento à saúde.

Algumas das projeções estarão certas, outras nunca se concretizarão, mas, de qualquer forma, o Se Cuida Doutor separou algumas das mais interessantes:

O papel dos hospitais

Artigo publicado no JAMA (Journal of American Medical Association) reflete sobre o papel que os estabelecimentos de saúde passarão a desempenhar após a pandemia ser superada. O autor discute brevemente que, por um lado, com práticas adequadas de controle de infecções, muitos pacientes que são direcionados para hospitais poderiam ser atendidos em lares de idosos, centros de reabilitação ou até escolas.

Por outro lado, o autor Stuart M. Butler, do Brookings Institute, cita também a possibilidade de hospitais se tornarem "hubs", que provêm serviços sociais variados que podem ter impacto na saúde das pessoas, mas que não necessariamente estão ligados à prática médica. Isso incluiria, por exemplo, centros de apoio e até moradia.

Vacinas, diagnósticos e antivirais

Em artigo na The Economist, Bill Gates diz acreditar que três grandes mudanças ocorrerão à medida que a crise do novo coronavírus chegar a um fim. O primeiro é o novo patamar na produção de vacinas, que, no caso da COVID-19, já está sendo testada e desenvolvida em tempo recorde.

Ele cita também os prováveis avanços na área de diagnósticos, dizendo que, da próxima vez que um novo vírus for identificado, pessoas provavelmente poderão realizar testes em casa poucos meses após a identificação da doença, tudo de forma fácil, cotidiana, assim como é possível fazer com testes de gravidez. Por fim, Gates diz prever uma revolução no uso de drogas antivirais, área de estudo da medicina que provavelmente ganhará prestígio.

Telemedicina

O termo "vida deslugarizada" tem sido utilizado pela agência White Rabbit, conhecida por explorar tendências, para descrever o impacto que a pandemia deve ter no cotidiano. Muitas atividades podem começar a ser feitas totalmente ou preferencialmente à distância: trabalho remoto, entretenimento, aprendizado, práticas religiosas, atividades físicas e, claro, medicina.

A maior realização de consultas à distância permitiu demonstrar que a telemedicina não é um substituto inferior às consultas presenciais, mas apenas um outro tipo de tecnologia para isso, o professor de Harvard Robert S. Huckman. A perenidade dessa mudança dependerá de como os provedores de serviço de saúde vão encarar esse tipo de atendimento após a crise —e se os preços seguirão inferiores ao praticado nos consultórios, como tem se observado.

Congressos médicos

Dezenas de congressos foram cancelados em todo o mundo (ou adaptados para o formato online) por causa da pandemia do novo coronavírus. Há muitos anos já se falava em desenvolver congressos e eventos relevantes para a classe médica online, e agora sabemos que é possível fazê-lo, conforme expõe artigo editorial do The Lancet HIV.

Há desafios, porém, conforme apontado pela ESR (European Society of Radiology) em artigo sobre o tema na Springer: eventos híbridos ou online precisam ainda inventar métodos para permitir discussões e o senso coletivo de comunidade ao longo de todo o evento, assim como ocorre com os presenciais.

Regras e privacidade

O compartilhamento de dados para acelerar avanços na medicina também já é discutido há bastante tempo, mas a preocupação com a segurança das informações e a privacidade costumam tornar o debate mais complexo. A área de pesquisa do banco Morgan Stanley prevê que o ambiente do setor de saúde se torne mais colaborativo e que o uso de dados de pacientes se torne mais recorrente.

Futurismo

Passaporte imunológico? Rastreamento e uso de dados como medida de saúde pública? Maior uso de inteligência artificial? Todas essas inovações disruptivas —e futuros alvos de discussões entre a classe médica, empresas, governos e sociedade civil— poderão surgir nos próximos anos com o fim da pandemia. O site The Medical Futurist separou algumas das principais apostas do que vai, do que pode e do que deve ser mudado (em inglês).

*A Bayer não tem parceria ou se responsabiliza pelos serviços citados e prestados por terceiros.

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