Confira como andam as pesquisas do tratamento da COVID-19 com plasma no Brasil

Na busca por tratamentos contra o novo coronavírus, uma importante aposta dos cientistas é a terapia experimental com plasma sanguíneo, que já está sendo testada no Brasil e em outros países.

A transfusão de plasma sanguíneo de recuperados da COVID-19 em doentes na fase aguda da infecção é foco de ao menos 26 estudos clínicos no Brasil, a maioria não concluída ou com resultados ainda inconclusivos.

O tratamento ganhou destaque após a FDA, agência americana de vigilância sanitária, autorizar o uso emergencial da terapia em meio à pressão do presidente Donald Trump, que defende a eficácia do método mesmo sem evidências científicas que sustentem a prática.

Para cientistas brasileiros envolvidos em pesquisas sobre o tema, resultados dos primeiros estudos no Brasil e no mundo mostram que a terapia é segura e promissora. No entanto, por limitações na metodologia das pesquisas ou número pequeno de participantes e nenhuma delas permite afirmar que o tratamento reduz significativamente o risco de morte pela doença.

As primeiras instituições brasileiras a investigarem o uso de plasma convalescente contra o novo coronavírus foram os hospitais Albert Einstein e o Sírio-Libanês. Na primeira fase da pesquisa, feita conjuntamente pelas duas instituições e já finalizada, 60 pacientes receberam o composto sanguíneo.

Já na segunda fase, ainda em andamento, outros 60 infectados farão uso da terapia, todos cumprindo o requisito de não estarem entubados para que a terapia seja avaliada antes de um agravamento maior do quadro.

"Os resultados são claros quanto à segurança. É uma terapia segura. E há uma indicação de efetividade, principalmente se o plasma é dado nos primeiros dias da infecção. Mas não tivemos grupo controle. Esses resultados podem não se confirmar em estudo randomizado e controlado", diz Luiz Vicente Rizzo, diretor-superintendente de pesquisa do Einstein.

No Brasil, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) também iniciou no mês de junho um estudo randomizado e controlado com o uso de plasma convalescente.

"Serão 120 pacientes divididos em três grupos: um recebe placebo, outro recebe plasma em maior volume e outro, em menor volume. Já foram incluídos 73 pacientes. As primeiras análises dos 30 primeiros confirmam que é uma intervenção segura, mas a amostra é muito pequena para confirmar o benefício. Temos de esperar", explica Esper Kallás, coordenador do estudo e professor da FMUSP.

No final de agosto, a OMS ressaltou que os estudos clínicos que foram finalizados até o momento haviam resultados inconclusivos e que seria preciso o término de ensaios clínicos randomizados e controlados para fazer qualquer recomendação a respeito. No entanto, a organização já pediu cautela quanto à aprovação emergencial do tratamento nos EUA. Em coletiva de imprensa na sede da entidade, em Genebra, a cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, alertou que há poucas evidências sobre a eficácia da estratégia.

Para a Anvisa, o plasma convalescente tem potencial promissor embora ressalte que os testes ainda sejam incipientes. A agência reguladora salienta que a terapia já foi usada em 2003 na Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) e em 2012 na Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS), assim como nas epidemias de H1N1 e ebola, podendo ser promissor também para a COVID-19.

*A Bayer não tem parceria ou se responsabiliza pelos serviços citados e prestados por terceiros.

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