Entenda o que se sabe sobre coquetel utilizado no tratamento da COVID-19

Recentemente o presidente norte-americano Donald Trump publicou um vídeo de cerca de 5 minutos de duração no qual defende e promove o medicamento experimental da empresa farmacêutica Regeneron como cura para o novo coronavirus, após ser acometido pela doença.

De acordo com Trump, o coquetel de remédios da companhia utilizado como parte de seu tratamento contra a doença o fez se sentir melhor "quase imediatamente". No entanto, não há evidências científicas de que o medicamento seja o motivo de sua melhora. O REGN-COV2, nome do medicamento da farmacêutica Regeneron, é uma droga experimental que utiliza um coquetel de anticorpos para prevenir e tratar a Covid-19.

Os resultados preliminares são promissores, mas estudos clínicos rigorosos, essenciais para considerar um medicamento seguro e eficaz para uma doença, ainda não foram concluídos. Cientistas da FDA (Food and Drug Administration), órgão equivalente à Anvisa nos Estados Unidos, devam tomar decisões independentes sobre aprovações a medicamentos.

A injeção que recebeu faz parte de um tratamento desenvolvido pela empresa de biotecnologia Regeneron e foi dada ao presidente "sem gerar nenhum incidente preocupante", segundo escreveu o médico presidencial, Sean P. Conley.

"A diferença em relação a uma vacina, que introduz uma proteína ou material genético em nosso organismo para estimular o sistema imunológico (e assim gerar anticorpos), é que esses são anticorpos entregues ao corpo para oferecer proteção", explica Jens Lundgren, médico especializado em doenças infecciosas da Universidade de Copenhague e do hospital Rigshopitalet, na Dinamarca, em entrevista à BBC.

O Brasil é um dos seis países (os outros são Estados Unidos, Chile, México, Moldávia e Romênia) no mundo que participam dos estudos com o coquetel para avaliar a eficácia contra o novo coronavirus e os mecanismos de ação da substância

​Segundo Alexandre Naime Barbosa, chefe do setor de infectologia da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo) e consultor da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) em entrevista para a Folha de S.Paulo, Trump conseguiu utilizar terapias alternativas pelo cargo que ocupa. "Ocorreu um acesso expandido de uma droga da qual não se tem pleno conhecimento, mas que pode ter eventual benefício. Isso é feito extrapolando a falta de resultados."

De toda forma, o infectologista afirma que a droga já está na fase 3, a última antes da aprovação, e, mesmo sem resultados definitivos até o momento, "obviamente é uma potencial candidata ao tratamento da Covid-19".

*A Bayer não tem parceria ou se responsabiliza pelos serviços citados e prestados por terceiros.

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