Estágio atual da vacina contra a COVID-19

Pouca coisa no mundo é mais desejada neste momento do que uma vacina contra o novo coronavírus. A jornada é longa: antes de ser comercializada, a vacina precisa ser aprovada em estudos pré-clínicos. Se o desfecho for positivo, é possível avançar para os testes clínicos com seres humanos, divididos em três fases, para só então pleitear aprovação regulatória junto aos órgãos competentes e iniciar a fabricação em grande escala.

Segundo relatório da OMS atualizado em 9 de junho, há ao menos 136 estudos em andamento. Dois deles desenvolvidos no Brasil: um conduzido pela USP (Universidade de São Paulo) e um em parceria entre Instituto Butantan e Fiocruz, ambos ainda em estágio pré-clínico.

Há diversos tipos de pesquisas sendo trabalhadas, como soluções com vírus, vetor viral, à base de proteínas ou com ácido nucleico. Uma reportagem especial do UOL explica, de forma didática e visual, as principais diferenças entre elas.

Os países com mais iniciativas na corrida pela imunização contra a COVID-19 são Estados Unidos e China, mas dos 10 potenciais estudos que já estão em fase clínica, o mais avançado é liderado pela Universidade de Oxford, da Inglaterra, já na fase três. A vacina usa um adenovírus de chipanzé com o material genético da proteína spike Sars-CoV-2.

Parte do estudo clínico da universidade inglesa será conduzido no Brasil. No início de junho, a Anvisa autorizou a realização de teste clínico dessa potencial vacina no país para testar a segurança, eficácia e imunogenicidade. A previsão é que cerca de 2.000 voluntários, em geral profissionais da linha de frente em São Paulo e no Rio de Janeiro, sejam testados.

Ainda que os recordes de velocidade no desenvolvimento de pesquisas clínicas estejam sendo quebrados na atual pandemia, ainda não há estimativa segura para a chegada de uma vacina contra o novo coronavírus ao mercado brasileiro.

A Universidade de Oxford afirma que, no cenário mais otimista, é possível que haja dados suficientes até o fim de julho, mas essa coleta pode levar até seis meses. Segundo a AstraZeneca, que firmou parceria para fabricar as vacinas, 30 milhões de doses para o Reino Unido poderiam ser entregues até setembro se os últimos testes forem bem-sucedidos.

A maioria das farmacêuticas envolvidas nos outros estudos mais avançados e epidemiologistas afirmam que dificilmente uma solução estará disponível para todo o mundo antes de meados de 2021. É o caso da vacina com vírus inativado da farmacêutica chinesa Sinovac, que firmou parceria com o Instituto Butantan e com o governo de São Paulo.

Ao todo, 9.000 voluntários serão testados em todo o Brasil na terceira fase dos estudos clínicos, prevista para ser iniciada em julho e com investimento estimado em R$ 85 milhões. Se aprovada, Sinovac e Butantan vão firmar um acordo de transferência de tecnologia para produzir as doses em escala industrial.

*A Bayer não tem parceria ou se responsabiliza pelos serviços citados e prestados por terceiros.

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