Filtre as notícias: saiba o que uma pesquisa clínica sobre coronavírus precisa para ser válida

Saber os critérios que fazem uma pesquisa clínica ser aprovada ajuda a não confiar em fake news

Com o bombardeio de informações a respeito do coronavírus, fake news acabam sendo divulgadas como verídicas, às vezes até citando pesquisas infundadas ou que não são possíveis de executar. Para impedir a propagação de fatos errados, que atrasam o progresso do enfrentamento à doença, a Anvisa lançou uma nota de esclarecimento sobre pesquisas clínicas durante a pandemia.

É importante que profissionais tenham conhecimento desse documento, não só para orientar pacientes e pessoas que recorrem a eles pedindo informações, mas também para identificar uma fake news caso receba.

O que a Anvisa afirma sobre informações repassadas durante a pandemia

São muitas dúvidas sobre tratamento da Covid-19 com hidroxicloroquina e de como os casos podem ser tratados com medicamentos experimentais:

Sobre a hidroxicloroquina – ainda não houve testes em seres humanos para comprovar se o medicamento é eficaz no tratamento de Covid-19 e esse é um requisito para que seja registrado pela Anvisa. Por enquanto, a hidroxicloroquina segue recomendada no tratamento de lúpus eritematoso, malária e artrite reumatoide.

Sobre medicamentos experimentais – de acordo com a Anvisa, os medicamentos experimentais que ainda não foram registrados podem ser usados desde que a prescrição seja feita por profissionais de saúde. Isso acontece por meios de programas específicos e o protocolo do medicamento deve ser aprovado antes de ser aplicado ao paciente.

O que a Anvisa diz sobre pesquisas clínicas durante a pandemia

Ensaios ou pesquisas clínicas não precisam da aprovação da Anvisa – desde que não tenham objetivos regulatórios, de obter um produto para ser comercializado. Pesquisas clínicas científicas ou acadêmicas não precisam da aprovação da agência, mas devem ser aprovadas pelo conselho de ética.

Ensaios ou pesquisas clínicas devem ser feitos para novas aplicações de medicamentos que já existem – como é o caso da hidroxicloroquina. Caso a eficácia da substância no tratamento de Covid-19 seja comprovada por meio de pesquisa, ela terá nova indicação na bula.

Todas as pesquisas clínicas já autorizadas pela Anvisa são publicadas no Diário Oficial da União – ao se deparar com uma informação que aparenta ser falsa sobre pesquisas, o Diário pode ser consultado para tirar a dúvida.

Todos as pesquisas clínicas e ensaios passam pelos órgãos de ética – é a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa que elabora normas para proteger os participantes de pesquisas. Se a proposta tiver riscos de ferir a integridade física e psíquica das pessoas envolvidas, ela não será aprovada.

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