Guia prático para retorno das consultas após a pandemia

A pandemia ainda nem acabou e “novo normal” já começa a soar como um termo um pouco desgastado. Médicos, porém, que tiveram suas consultas diretamente afetadas pelo novo coronavírus, não veem a hora desse momento chegar.

Nas últimas semanas, diversas formas de flexibilização do isolamento social no Brasil têm sido discutidas. Ainda que não seja algo confirmado, já é possível se preparar para a reabertura de sua clínica médica.

É válido lembrar que todo cuidado neste momento é pouco: reaberturas incluem riscos tanto para a equipe de profissionais, quanto para os pacientes.

Para auxiliar na retomada ou na ampliação dos atendimentos em consultório, preparamos um guia prático com dicas práticas inspiradas em orientações da AMA (American Medical Association):

1. Cumpra as orientações governamentais
Estados, Governo Federal e associações médicas estão sempre publicando orientações e guias com boas práticas e normas a serem seguidas. O Ministério da Saúde, por exemplo, tem um informativo com orientações relevantes para segurança e integridade de profissionais.

2. Faça um plano
O planejamento será de vital importância para o sucesso de sua retomada. Sente-se com um calendário e projete a demanda esperada para os primeiros dias da reabertura —se possível, trabalhe inicialmente com um “soft opening”, algo gradual, para avaliar impactos e pontos de melhoria.

Avalie as necessidades e opções de fornecimento de EPIs como máscaras. Não deixe de averiguar qual estoque você tem atualmente e quanto precisará no futuro.

Planeje com antecedência como você lidará com sua equipe, com a limpeza e os procedimentos de segurança. Desenvolva diretrizes para determinar quando e por quanto tempo os funcionários que interagiram com um paciente diagnosticado ficarão em quarentena.

3. Retome aos poucos
Considere uma abordagem passo a passo da reabertura, para que possa identificar e ajustar rapidamente quaisquer desafios práticos apresentados. Identifique quais atendimentos podem ser realizados por teleconsulta e considere manter aquilo que pode ser feito à distância.

Comece com algumas visitas presenciais por dia. É possível que não haja necessidade de contar com sua equipe administrativa fisicamente no consultório, por exemplo. Se for o caso, considere que os funcionários trabalhem em dias alternados ou em partes diferentes do dia, reduzindo o contato entre eles e as chances de aglomeração.

Lembre-se de sempre comunicar claramente sua programação semanal aos pacientes, médicos e funcionários da clínica.

4. Implemente medidas de segurança para pacientes
Para garantir que os pacientes não entrem em contato, busque utilizar horários modificados para evitar aglomeração em sua clínica. Se possível, designe áreas de espera separadas para pacientes saudáveis e para aqueles sintomáticos.

Uma boa alternativa também pode ser a triagem à distância antes das consultas presenciais. Essa é a melhor forma de evitar que pacientes com sintomas da COVID-19 tenham contato com outras pessoas em seu consultório. É possível atribuir essa tarefa a sua equipe utilizando um formulário pronto, idealmente em até 24 horas antes da consulta, ao confirmar o agendamento.

Considere um cronograma flexível, com um maior período de tempo entre consultas, de forma que seja possível reduzir o contato entre pacientes. Limite ao máximo a quantidade de acompanhantes, restringindo a participação àqueles cuja presença é necessária (por exemplo, pais de filhos, filhos, cônjuge ou outro companheiro de um adulto vulnerável).

5. Garanta segurança no local de trabalho para médicos e funcionários
Comunique claramente os requisitos de saúde pessoal aos médicos e funcionários de sua clínica. Por exemplo, o funcionário deve saber que não deve se apresentar para o trabalho se tiver febre, perda de paladar ou olfato, dificuldade de respirar ou se recentemente entrou em contato direto com uma pessoa que testou positivo para o novo coronavirus.

Estabeleça comunicação aberta com a gerência das instalações em relação a horários e protocolos de limpeza dos espaços compartilhados (por exemplo, halls, cozinhas, banheiros).

Não se esqueça também de notificar os casos de funcionários contaminados. Lembre-se, os registros dos resultados da triagem dos funcionários devem ser mantidos em um arquivo confidencial de emprego (separado do arquivo pessoal).

<< voltar para Covid-19