Idas e vindas nos medicamentos usados para combater o novo coronavírus

A lista de alternativas estudadas para combater o novo coronavírus aumenta ou diminui conforme avançam as pesquisas sobre tratamentos contra a COVID-19.

Uma das primeiras drogas a ficar em evidência nas discussões sobre o novo coronavírus foi justamente uma que não era estudada para tratar a doença, mas alguns de seus sintomas. Em março, a OMS (Organização Mundial da Saúde) disse não recomendar o uso de antiinflmatorios não-esteroidais como ibuprofeno no contexto do tratamento da doença —dois dias depois, a entidade voltou atrás e publicou recomendações.

Desde então, informações sobre tratamento medicamentoso são atualizadas constantemente. A OMS organiza um estudo clínico internacional, o Solidarity, com o objetivo de acelerar a busca por soluções eficazes e seguras contra a doença. Até 3 de junho, mais de 3.500 pacientes participaram da iniciativa, que conta com mais de 400 hospitais e 60 países envolvidos.

O Brasil é um dos países que integra o programa, com estudos liderados pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e pela Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado, em Manaus (AM). Pelo menos nove ensaios clínicos são acompanhados pelo Ministério da Saúde no país.

Até o momento, a dexametasona é a única droga que reduz a incidência de mortes pelo novo coronavírus em pacientes com complicações respiratórias graves, de acordo resultados apontados no ensaio clínico (Randomised Evaluation of Covid-19 Therapy, ou avaliação randomizada da terapia contra a COVID-19). O medicamento integra a lista de fármacos acompanhados no Brasil.

A OMS reforça que, até que haja evidência científica suficiente, médicos e associações devem ter cautela ao recomendar tratamentos para pessoas infectadas pelo novo coronavírus. A empreitada da organização trabalhou incialmente com quatro opções de tratamento:

Remdesivir – Testada no combate ao vírus Ebola, o medicamento gerou resultados promissores em estudos com animais para outras síndromes também causadas por coronavírus, como SARS e MERS-CoV, o que sugere uma possível aplicação contra a COVID-19. O uso do antiviral também está sendo analisado nos estudos clínicos acompanhados pelo Ministério da Saúde brasileiro.

Lopinavir/Ritonavir – Presente nas análises conduzidas pelo Brasil, a combinação das duas substâncias utilizadas no tratamento de HIV está sob análise e ainda não tem resultados conclusivos, segundo a OMS. Pesquisadores britânicos do estudo Recovery, da Universidade de Oxford, publicaram recentemente que o uso combinado dos dois medicamentos em pacientes hospitalizados não apresentou benefício clínico.

Lopinavir/Ritonavir com interferon beta-1a – A adição do fármaco utilizado no tratamento de esclerose múltipla à combinação receitada contra HIV também segue sob análise do estudo internacional da OMS. No Brasil, o Ministério da Saúde acompanha estudos com uma outra variação, o Interferon beta-1b, associado ao uso de Lopinavir e Ritonavir.

Hidroxicloroquina, cloroquina e azitromicina – Tratada inicialmente como uma das opções mais promissoras no combate ao novo coronavírus, o uso da combinação de substâncias já utilizadas contra malária e doenças autoimunes não teve estudos conclusivos favoráveis, embora ainda permaneça sob análise no Brasil e esteja contemplado em protocolos do SUS para tratamento medicamentoso precoce. A iniciativa da OMS também analisava os possíveis efeitos da hidroxicloroquina em pacientes de COVID-19, mas essa frente de estudo clínico foi suspensa em 17 de junho após dados do Solidarity e estudos do Reino Unido indicarem que o fármaco não reduz a mortalidade de pacientes hospitalizados.

Além dos medicamentos acompanhados pelo ensaio clínico internacional da OMS, os tratamentos com tocilizumabe, ruxolitinibe e com plasma convalescente são acompanhados por estudos clínicos no Brasil, além de outros disponíveis para consulta pela CONEP (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa), como interferon, interleucina e anticoagulantes.

O Ministério da Saúde reúne também notas técnicas sobre diferentes tratamentos e intervenções testadas no combate à COVID-19, inclusive alguns contraindicados. Entre eles:

- Monolaurina, monossacarídeo produzido a partir da metabolização de óleos láuricos, presentes no óleo de coco,, sem eficácia comprovada na prevenção e tratamento do novo coronavírus;
- Dióxido de cloro, utilizado na produção de desinfetantes e alvejantes, não aprovado em lugar nenhum do mundo para fins terapêuticos;
- Utilização de gás ozônio, eficaz na inativação in vitro de microrganismos, mas sem conhecimento estabelecido de eficácia para esterilização de ambientes e, logo, não recomendado no contexto do novo coronavírus.

Para mais informações sobre os estudos clínicos em andamento no Brasil e no mundo, acesse:

*A Bayer não tem parceria ou se responsabiliza pelos serviços citados e prestados por terceiros.

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