O Brasil terá uma segunda onda de COVID-19?

À medida que lockdowns e toques de recolher são anunciados em países da Europa, uma mesma pergunta começa a agitar o Brasil: teremos uma segunda onda? Se sim, quando e quão grave?

Não há ainda respostas definitivas para essas perguntas e autoridades de saúde ainda não afirmam publicamente que o número de casos voltará a explodir, mas dados e especialistas apontam para uma provável nova alta nos próximos meses, similar ao que outros países têm registrado.

No último dia 3, a taxa de transmissão do novo coronavírus (valor R) voltou a ficar acima de 1 ponto, considerado o limiar epidêmico, de acordo com o Centro Global de Análise para Doenças Infecciosas de Londres. A linha não era ultrapassada havia cinco semanas.

Ou seja, com um valor R igual a 1,01, como foi registrado no dia 3, cada 100 infectados transmitem a doença para outras 101 pessoas. Trata-se ainda de uma oscilação dentro da margem de erro da estimativa, conforme explica o jornal O Globo, mas acima da linha que indica um surto que caminha para se extinguir.

A maior parte dos estados, ao se considerar a média móvel de mortes pela doença, mantinham estabilidade ou decréscimo no número de óbitos — as exceções eram Santa Catarina e Piauí.

Ainda assim, alguns locais apresentam um cenário preocupante. O caso mais emblemático é o Amazonas, em que a ocupação de leitos de UTI aumentou de maneira significativa. Até o momento, o Ministério da Saúde descarta que já se trate de uma segunda onda na capital do Amazonas.

Apesar de países como França, Rússia e Reino Unido estarem registrando agora o pico de casos de COVID-19, faltam dados para assegurar que teremos uma segunda onda no Brasil, de acordo com Sylvia Lemos Hinrichsen, da Sociedade Brasileira de Infectologia. Cada região tem características diferentes e faltam conclusões sobre reinfecções e imunidade coletiva, diz ela.

Há também o componente da disponibilidade de testes para diagnóstico da doença. Os testes estão mais abundantes e, no início do ano, havia escassez dos instrumentos necessários, o que levou a um não registro por falta de estrutura, conforme explica o virologista Anderson Brito, pesquisador da Universidade Yale, à BBC brasileira.

Estrutura etária, características regionais, condições climáticas e efeito do relaxamento das medidas de contenção também são variáveis que impedem que a ocorrência de uma segunda onda no Brasil seja certa, afirma Paulo Lotufo, professor da Faculdade de Medicina da USP. Porém, essas mesmas variáveis são parte do que impede dizer se a primeira onda já chegou ao fim no país.

*A Bayer não tem parceria ou se responsabiliza pelos serviços citados e prestados por terceiros.

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