O que é e como se certificar na área de Medicina Integrativa

A busca pela cura além do mero tratamento da doença: esse é um dos conceitos da medicina integrativa, vertente que desperta interesse crescente em pacientes e também na classe médica.

A abordagem consiste no tratamento do paciente como um todo, o que inclui o modo como ele se relaciona com o ambiente, seu bem-estar físico e mental. Trata-se de uma parceria entre o médico e o examinado, em que uma equipe multidisciplinar auxilia no tratamento com diversas práticas que ajudam a reduzir o estresse, a ansiedade e o cansaço físico, emocional e mental.           

Em 2017, o Ministério da Saúde incluiu práticas como yoga, musicoterapia, meditação e quiropraxia à Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, existente desde 2006. Na última Pesquisa Nacional de Saúde, de 2013, cerca de 7,6 milhões de brasileiros tinham utilizado alguma prática complementar, muitas delas presentes no rol do SUS, ainda que a oferta seja limitada.

É uma discussão recorrente no setor de saúde se novas práticas integrativas devem receber recursos do sistema público de saúde —entidades como o Conselho Federal de Medicina são contra. No setor privado, porém, instituições renomadas oferecem as atividades e terapias como um complemento ao tratamento das doenças.

A medicina integrativa possui ao menos 12 princípios, segundo Paulo de Tarso Lima, cofundador do serviço de Medicina Integrativa do Centro de Oncologia e Hematologia do Hospital Israelita Albert Einstein:

  • A saúde é vista como um estado vital de bem-estar físico, mental, emocional, social e espiritual, que capacita a pessoa a estar engajada em sua vida.
  • O médico atua como parceiro no processo de cura e na saúde.
  • ​O paciente informado é parte do processo de decisão do plano de tratamento.
  • As intervenções são dirigidas para tratar a doença, bem como para assistir a pessoa como um todo: abordando todos os aspectos que influenciam o processo da doença e da cura.
  • Os pacientes são orientados a reconhecer, administrar e diminuir os fatores estressantes.
  • Os pacientes recebem orientações nutricionais: os alimentos são considerados agentes fundamentais na promoção de doença e saúde.
  • O impacto das influências sociais no processo de adoecimento e na saúde é considerado e incluído no plano de tratamento.
  • As influências ambientais no processo de cura e na saúde são abordadas, investigadas e consideradas no plano de tratamento.
  • O plano de tratamento é compartilhado e integrado entre todos os profissionais de saúde envolvidos.
  • A cada paciente é desenvolvido um plano de tratamento individualizado, baseado em suas demandas e necessidades.
  • A promoção de saúde e a prevenção são enfatizadas no plano de tratamento.
  • ​Todas as abordagens terapêuticas, profissionais de saúde e disciplinas são consideradas.

É importante ressaltar que as práticas adotadas ao longo do tratamento e do acompanhamento de pacientes pela abordagem integrativa não devem ser tomadas como solução única para a doença —fazê-lo já seria, por si só, contrário ao conceito de saúde integrativa. Não há evidências de que o emprego isolado de métodos alternativos seja mais eficaz e eficiente que o tratamento médico convencional.

 

Certificação

Há vários caminhos possíveis para os interessados em se aprofundar no trabalho com terapias complementares e medicina integrativa. Há uma série de especializações e pós-graduações disponíveis, assim como é possível obter certificados ou realizar cursos de curta duração.

O Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida reúne é responsável no Brasil pela Certificação Internacional em Medicina do Estilo de Vida. O site reúne uma série de indicações de cursos oferecidos por instituições como Harvard, Cornell e o American College of Lifestyle Medicine.

A Unicamp ministra a disciplina de forma eletiva, a USP oferece cursos recorrentes e a PUC-Rio oferece especialização e a Outras instituições também oferecem capacitação, como o Hospital Israelita Albert Einstein e o Hospital Sírio-Libanês.

 

*A Bayer não tem parceria ou se responsabiliza pelos serviços citados e prestados por terceiros.

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