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FAÇA UMA PAUSA PARA MEDITAR

Pesquisa defende que a prática da meditação tem os mesmos efeitos que uma xícara de café; aumenta o foco e a concentração, além de reduzir o estresse e aumentar o controle emocional.

Texto: Flávia Corbó

Alimentos inimigos da disposição

No decorrer do dia, após algumas horas de trabalho, é comum que o nível de energia diminua, fazendo cair o rendimento nas atividades. Boa parte dos profissionais tenta driblar a proximidade do cansaço com algumas doses de café. O hábito tem eficácia, pois a cafeína tem comprovada capacidade de potencializar o estado de alerta e a atenção prolongada, devido à atuação no sistema nervoso central. No entanto, a substância pode causar alguns prejuízos à saúde quando consumida em excesso.

De acordo com uma pesquisa publicada na revista científica Consciousness and Cognition, uma alternativa viável ao consumo de café pode ser o exercício da meditação. O estudo sugere que uma pequena pausa para meditar durante o dia faz aumentar a capacidade cognitiva do cérebro.

O diretor do Centro de Meditação Shambhala de São Paulo, Charles Betito Filho, se utiliza de uma metáfora para explicar como a atividade é capaz de aguçar o foco e a concentração, mesmo em meio a um dia atribulado de trabalho.

“É como se estivéssemos subindo uma ladeira íngreme e, no meio do caminho, depois de nos esforçarmos até aquele momento, nós percebêssemos que poderíamos largar a mochila de pedras pesadas que estávamos carregando. Isso não torna a subida menos íngreme, mas certamente a torna mais fácil”, explica.

Esse estado de maior clareza mental pode ser atingido porque a prática da meditação permite que se retirem certos filtros colocados diante da realidade. “Desenvolvemos uma capacidade de tomar melhores decisões sem todo o peso de emoções, pensamentos e crenças do passado que, muitas vezes, nos atormentam no momento presente, sem que sejam necessários”, complementa.

Durante a prática da meditação, se treina a capacidade de manter a atenção em um objeto, seja ele a respiração, uma vela, pedra ou qualquer outro. Com o tempo, o indivíduo se torna mais capaz de projetar a atenção da mente em algo e conseguir mantê-la pelo tempo necessário. Nos dias atuais, com uma quantidade enorme de distração e informação, nossa mente foi treinada inconscientemente para fazer o contrário, ou seja, pular de uma distração para outra, por isso muitos recorrem à cafeína para tentar recuperar um pouco do foco.

Além de maior capacidade de concentração e foco, há ainda diversos benefícios já observados pela ciência em torno da meditação, como redução de estresse, maior controle emocional e aumento do nível de paciência. Para saber como iniciar a prática, Betito Filho separou dicas importantes:

Postura

POSTURA

Pode-se usar uma almofada ou fazer numa cadeira. É importante que se mantenha uma postura ereta, sem forçar as costas, cruzando as pernas à frente da maneira que for confortável. Para quem usar cadeira, os pés devem ficar plantados no chão e as costas mantidas longe do encosto.

Respiração

RESPIRAÇÃO

Deve servir de objeto para ancorar a atenção. É preciso concentrar-se em todas as sensações do ar entrando e saindo do corpo. “A ideia por trás disso é que nós nos tornemos a nossa respiração”, explica.

Pensamento

PENSAMENTO

Não é necessário que se tente “parar de pensar” ou sequer controlar pensamentos. A ideia é que se perceba o que se está pensando e, sem qualquer julgamento, tente voltar a atenção para a respiração.

Instrutor

INSTRUTOR

É bastante importante receber instrução de uma pessoa especializada. Hoje em dia, há aplicativos que orientam a prática, como Headspace e Buddhify.

Local

LOCAL

É aconselhável praticar sempre em um mesmo local, pois ao entrar neste espaço, a sua mente já sabe, ou já está treinada, para o que vai acontecer.

Tempo

TEMPO

Não existe tempo predeterminado. É mais importante priorizar a frequência do que a profundidade, ou seja, é melhor que se faça cinco minutos por dia do que uma hora uma vez por semana.

Olhos abertos

OLHOS ABERTOS

Manter os olhos abertos durante a prática é crucial para conseguirmos levar a mente que desenvolvemos em meditação para o dia a dia.

Ouvir música

OUVIR MÚSICA

Não é recomendado. O ideal é que não se modifique o ambiente com nenhum tipo de som.

Gentileza

GENTILEZA

A base desta prática é a gentileza na sua forma mais fundamental, a gentileza para com nós mesmos. Por isso, não se deve julgar os pensamentos e nem se autoflagelar pela quantidade deles.

Hábito

HÁBITO

Não existe uma regra de como podemos levar a meditação para o dia a dia. A dica principal é praticar diariamente ou várias vezes por semana; após algum tempo, cria-se o hábito.

Visão

VISÃO

Para aqueles que desejam adotar a prática da meditação, é preciso ter ciência do porquê se deseja praticar. Ter um propósito forte pode ajudar a se manter no caminho.

Expectativas

EXPECTATIVAS

A prática não visa criar uma versão melhorada de si mesmo, mas remover tudo o que encobre a mente. É importante abordar a meditação como uma exploração e não como algo que trará um resultado final.

Persistência

PERSISTÊNCIA

Diante de uma falha na tentativa de iniciar a prática pode surgir o pensamento: “eu não consigo meditar”. Betito afirma que isso é praticamente impossível. “Quando nos aproximamos da meditação com a ideia de exploração, ou seja, de olharmos o funcionamento da nossa mente, sempre conseguiremos.”

Simplificação

SIMPLIFICAÇÃO

A meditação começa no momento em que decidimos iniciar a prática.

Benefícios

BENEFÍCIOS

Perceba as mudanças no seu corpo e comportamento e isso servirá de estímulo para seguir a prática. A meditação, principalmente se feita com frequência, traz uma maior sensação de apreciação das coisas mais comuns da nossa realidade.

Burnout

Falta de energia e de entusiasmo caracteriza a exaustão emocional, que somada ao sentimento de frustração e tensão por falta de condições no trabalho, pode gerar uma síndrome preocupante para a classe médica.

Saiba mais

Depoimento

"...A síndrome de Burnout prejudica do profissional, a quem ele atende, os colegas e a instituição. E para o enfrentamento dessa síndrome são necessárias intervenções focadas no indivíduo: meditação, educação, saúde, hobbies, atividades física e vida em família e amigos..."

Profª Drª Carmita H. N Abdo

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